(sem título)

Vaga após vaga, uma imensidão de pessoas passa por mim. Odeio, no entanto é necessário, aproxima-se a época de maior consumismo do ano, ou então assim seria se não fosse esta maldita crise, que para mim sempre existiu, só que a diferença é que agora falam dela com mais ênfase na comunicação social.
Distraído, dou um encontrão num homem que fumava; reparo que olha impacientemente para dentro de uma loja como se esperasse alguém, não digo nada, nem a mais simples e rudimentar das frases, aquela que todos os pais ensinam aos filhos e que naquele momento simplesmente esqueci: peço desculpa. Continuo a andar, o meu passo é rápido, não sei porquê; sou levado pelo frenesim de pessoas que neste momento mais se assemelham a insectos. Quando páro já não me encontro dentro do centro comercial; o meu irmão vem atrás de im. Sem trocarmos uma palavra, encostamo-nos a uma parede: ele fuma e pensa, eu penso.
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Texto de Filipe Duarte

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