Na Mão de Deus
Leitura integral do soneto
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01Na mão de Deus, na sua mão direita,
02Descansou afinal meu coração.
03Do palácio encantado da Ilusão
04Desci a passo e passo a escada estreita.
05Como as flores mortais, com que se enfeita
06A ignorância infantil, despojo vão,
07Depus do Ideal e da Paixão
08A forma transitória e imperfeita.
09Como criança, em lôbrega jornada,
10Que a mãe leva ao colo agasalhada
11E atravessa, sorrindo vagamente,
12Selvas, mares, areias do deserto...
13Dorme o teu sono, coração liberto,
14Dorme na mão de Deus eternamente!
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Seis caminhos para a serenidade
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DE DEUSRenúncia · Proteção
Liberdade · Paz
01 · vv. 1–2Proteção divina
A imagem da «mão de Deus» sugere acolhimento, proteção e repouso. O coração, depois da inquietação, descansa finalmente.
Versos 1–2 · Metáfora da mão protetora e valor expressivo de «afinal».
02 · vv. 3–4Despedida da Ilusão
O «palácio encantado» simboliza o fascínio dos ideais ilusórios. A descida da «escada estreita» exprime o abandono progressivo desse mundo.
Versos 3–4 · Metáforas do palácio e da escada; progressão em «a passo e passo».
03 · vv. 5–8Renúncia consciente
O sujeito poético reconhece o caráter passageiro das ilusões e depõe a forma imperfeita do Ideal e da Paixão. A renúncia é voluntária.
Versos 5–8 · Comparação com «flores mortais» e contraste entre o ideal e a sua fragilidade.
04 · vv. 9–11Imagem maternal
A criança transportada pela mãe representa a vulnerabilidade humana acolhida por uma presença protetora, capaz de inspirar serenidade.
Versos 9–11 · Comparação do sujeito poético com uma criança protegida.
05 · v. 12Travessia da vida
A enumeração «Selvas, mares, areias do deserto» intensifica a ideia de obstáculos e perigos da existência. A criança atravessa-os com confiança.
Verso 12 · Enumeração de espaços hostis e valor simbólico da jornada.
06 · vv. 13–14Libertação e paz
A apóstrofe ao «coração liberto» e a repetição de «Dorme» acentuam a serenidade alcançada. O regresso à mão de Deus fecha circularmente o soneto.
Versos 13–14 · Apóstrofe, repetição, estrutura circular e «eternamente».
A liberdade interior nasce do desprendimento das ilusões e da confiança numa presença protetora.
O sujeito poético renuncia às ilusões e encontra na entrega a Deus uma imagem de paz definitiva, figurada no repouso do coração e na proteção maternal.
A renúncia não é uma derrota: é o caminho para a serenidade e para a libertação interior.
Para pensar: em que medida a imagem da criança protegida pela mãe ajuda a compreender a relação entre liberdade, renúncia e serenidade neste soneto?
Ilusão
Aquilo que parece verdadeiro ou possível, mas não corresponde à realidade; aqui, os ideais que fascinaram o sujeito poético.
Fechar definição ×despojo
Aquilo de que alguém se desfaz ou é privado; neste contexto, algo abandonado ou destituído de valor.
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