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A mostrar mensagens de dezembro, 2009
NA REVISTA
existem várias formas de entrar na escuridão:
tu escolheste o mundo.
Afonso Braga
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tu escolheste o mundo.
Afonso Braga
NA REVISTA
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.
que profundo este silêncio de guizos festivos de mais um natal cheio de luzes e frio.
nas traseiras de cada olhar avistam-se laivos de ausência.
NA REVISTA
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
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Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
NA REVISTA
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eterno retorno
O eterno retorno- óleo s/ tela de Guilherme de Faria.
num algures distante, num tempo que não este, uma criança grava, pensando, a sua mão na laje azul, depois vai embora para o mundo.
fará a descoberta e, nesse então, voltará, porque a sua eternidade está na mão que, pensando, gravara na laje azul da terra que é sua.
NA REVISTA
Deixa-me ver a vida exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!
José Gomes Ferreira
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Vai-te, Poesia!
Deixa-me ver a vida exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!
José Gomes Ferreira
A poesia é uma venda que impede a percepção do real. Coisa maior, de nardos vestida, oculta o quotidiano, aqui retratado como o sítio do intolerável, onde a 'carne humana' chora e onde habita o Mal, que fabrica sonhos de 'dinamite de lágrimas'.
Esta descrição disfémica permite a descoberta de um eu que, no intervalo de ser poeta, toma consciência do que o rodeia e da redoma que os versos criam. No entanto, e paradoxalmente, é justamente de versos que se serve para dizer a rudeza do real e para levantar a voz.
A poesia é grito e mordaça.
.
Imagem: Edvard Munch, 'O Grito'
NA REVISTA
bebo as entranhas dos dias
em copos de amargo veludo,
por isso,
a inteireza de cada coisa
procura-me o sangue,
que anima todo este corpo
de fervor.
inquietude.
e exactidão.
imagem: «Autobiografia», Angel Boligan
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breve registo autobiográfico contra o tempo
bebo as entranhas dos dias
em copos de amargo veludo,
por isso,
a inteireza de cada coisa
procura-me o sangue,
que anima todo este corpo
de fervor.
inquietude.
e exactidão.
imagem: «Autobiografia», Angel Boligan
NA REVISTA
fica para mais um cigarro,
fica,
que o tempo foge
e poderá não haver tempo
para dizermos da dor
e da alegria.
fica,
para a vertigem
que resgatamos à morte.
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todos os dias à noite depois do expediente ou título a quatro mãos
fica para mais um cigarro,
fica,
que o tempo foge
e poderá não haver tempo
para dizermos da dor
e da alegria.
fica,
para a vertigem
que resgatamos à morte.
NA REVISTA
Poema
tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como um navio no fundo do mar
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como a árvore sob a sua crosta
como um navio no fundo do mar
NA REVISTA
sobre o silêncio que amordaçava o meu grito,
a noite, anseio desconhecido, acendeu
a vibração da minha voz interrompida.
agora, seio-o,
ganhei-me ao intervalo do requinte.
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recomeço
sobre o silêncio que amordaçava o meu grito,
a noite, anseio desconhecido, acendeu
a vibração da minha voz interrompida.
agora, seio-o,
ganhei-me ao intervalo do requinte.
NA REVISTA
Cavalo à Solta, por Viviane
Canção de Madrugar, por Susana Félix
Retalhos, por Luanda Cozetti
Estrela da Tarde, por Mafalda Arnauth
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Rua da Saudade
Embora não se enquadre verdadeiramente no tema mensal, não posso não deixar aqui o registo deste novo projecto da música portuguesa: Rua da Saudade. Juntam-se nele quatro vozes femininas – Mafalda Arnauth, Viviane, Luanda Cozetti e Susana Félix - que, com uma nova sonoridade, recriam onze canções de Ary dos Santos, no ano em que se assinalam os 25 anos do seu desaparecimento e escolhendo para nome desta aventura, justamente o nome da rua onde o poeta viveu grande parte da sua vida.
Aqui ficam quatro registos, os únicos, por ora, disponíveis na internet. Não deixem de os ouvir e sobretudo não reprimam a vertigem que vos possa tomar.
Cavalo à Solta, por Viviane
Canção de Madrugar, por Susana Félix
Retalhos, por Luanda Cozetti
Estrela da Tarde, por Mafalda Arnauth
NA REVISTA
pequeno apontamento de amor
espreita a morte à esquina do meu sonho e adamastores ensombram a boa esperança do futuro. mas eu vou, no vento azul marinho, vou para te encontrar, no horizonte infinito das marés.
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