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A mostrar mensagens de abril, 2009
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Maria da Fonte
Muito a propósito da aula de hoje, deixo-vos o hino da Maria da Fonte, voz de Vitorino.Ouçam também "As Sete Mulheres do Minho", de José Afonso.
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apodrece
no canteiro
a vermelha raiz de abril
e há sonhos tristes
no sono das gentes
quem virá regar o cravo
que murcha na lapela do meu País?
E aos oradores que, hoje, por toda a parte se fazem ouvir, aviltando a poesia nos seus discursos, um poema. De Sophia:
.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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abril. 25
apodrece
no canteiro
a vermelha raiz de abril
e há sonhos tristes
no sono das gentes
quem virá regar o cravo
que murcha na lapela do meu País?
E aos oradores que, hoje, por toda a parte se fazem ouvir, aviltando a poesia nos seus discursos, um poema. De Sophia:
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Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andresen
NA REVISTA
Texto premiado no 5º Concurso Literário Sophia de Melo Breyner
Procurei a liberdade nos homens,
Naqueles que a inventaram e por ela lutaram
Com bravura.
A mesma com que ontem escravizaram
E hoje discriminam.
A liberdade, cativa dentro dos homens,
Perdeu o sentido.
Deixou de existir.
Pensava eu que era livre...
Tive a liberdade de pensar e fui presa,
Tive a liberdade de ser o que quisesse e julgaram-me.
Tive a liberdade de ser feliz e invejaram-me,
Fui triste e desfizeram-se de mim.
Tive a liberdade de mostrar quem sou
E não me reconheceram.
Tive vontade de dizer que era livre
E tu lembraste-me do dever de ser alguém.
Quis fugir dessa mentira.
A liberdade utópica é somente aquela que existe em nós
E morre.
De repente, o chão que eu pisava, pesava em mim
E o céu que eu contemplava, estava debaixo dos meus pés.
Passei por escadas que subiam, enquanto eu descia,
Corri parada por lugares que corriam por si só
E cheguei a um lugar que, na verdade, foi ele próprio que chegou até mim.
E vi o vento dançar, os pássaros passearem pelo chão,
Os peixes saltarem
E eu voei...
A liberdade habitava ali, solta e alegre,
Onde o mar podia ser praia e areia podia ser azul.
Encontrei a liberdade nesse espaço onde só existia eu, sem existir, dentro de mim.
Deram-me a liberdade de sentir e eu senti que esta era a minha única liberdade.
.
Nayara Reiter
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Naqueles que a inventaram e por ela lutaram
Com bravura.
A mesma com que ontem escravizaram
E hoje discriminam.
A liberdade, cativa dentro dos homens,
Perdeu o sentido.
Deixou de existir.
Pensava eu que era livre...
Tive a liberdade de pensar e fui presa,
Tive a liberdade de ser o que quisesse e julgaram-me.
Tive a liberdade de ser feliz e invejaram-me,
Fui triste e desfizeram-se de mim.
Tive a liberdade de mostrar quem sou
E não me reconheceram.
Tive vontade de dizer que era livre
E tu lembraste-me do dever de ser alguém.
Quis fugir dessa mentira.
A liberdade utópica é somente aquela que existe em nós
E morre.
De repente, o chão que eu pisava, pesava em mim
E o céu que eu contemplava, estava debaixo dos meus pés.
Passei por escadas que subiam, enquanto eu descia,
Corri parada por lugares que corriam por si só
E cheguei a um lugar que, na verdade, foi ele próprio que chegou até mim.
E vi o vento dançar, os pássaros passearem pelo chão,
Os peixes saltarem
E eu voei...
A liberdade habitava ali, solta e alegre,
Onde o mar podia ser praia e areia podia ser azul.
Encontrei a liberdade nesse espaço onde só existia eu, sem existir, dentro de mim.
Deram-me a liberdade de sentir e eu senti que esta era a minha única liberdade.
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Nayara Reiter
NA REVISTA
(sem título)
Procuro-me
entre mim.
Palavras
não são respostas
das apostas
que amam.
Figuro-me
do azul da ilusão,
voltadas de costas
do céu das nossas mãos.
As cores mudam,
tu não.
Texto de Emanuel Vitório, produzido no âmbito do P.I.L.
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entre mim.
Palavras
não são respostas
das apostas
que amam.
Figuro-me
do azul da ilusão,
voltadas de costas
do céu das nossas mãos.
As cores mudam,
tu não.
Texto de Emanuel Vitório, produzido no âmbito do P.I.L.
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(sem título)
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Vou passando devagar pela tua vida.
A minha mão, lentamente, desliza pelo teu corpo, na ansiedade de descobrir-te.
Enlaça-me e prende-me num beijo teu.
Aggara-me com força nos teus braços e diz bem alto que sou tua. Para que eu não sinta falta do que não fizeste e nem desacredite aquilo que não chegaste a dizer.
Para que eu não te fuja.
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Texto de Nayara Reiter, produzido no âmbito do P.I.L.
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Texto de Nayara Reiter, produzido no âmbito do P.I.L.
NA REVISTA
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(sem título)
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Minha amada, teu falar, a mim, soa a música. O teu andar é mais belo que qualquer dança. É obra de arte indefinida, tua elegância. É aos meus braços que pertences: eu sou o teu ritmo e o teu maestro; sou o teu auditório e o teu par. Vem fazer dançar a minha vida, bailarina.
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Minha amada, teu falar, a mim, soa a música. O teu andar é mais belo que qualquer dança. É obra de arte indefinida, tua elegância. É aos meus braços que pertences: eu sou o teu ritmo e o teu maestro; sou o teu auditório e o teu par. Vem fazer dançar a minha vida, bailarina.
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Texto de Nayara Reiter, produzido no âmbito do P.I.L.
Imagem: Óleo de Aline Farias
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Poema "Anos"
Anos de ditadura e de injustiças
anos de temor e corrupção
anos de medo e perdição
anos de PIDE e indiferença
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anos de um povo de tristeza
anos de um povo de pobreza
anos de um governo de crise
anos de cativeiro e de tortura
anos de pânico e idiotice
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Texto de Eduardo Roçadas, produzido no âmbito do P.I.L., a partir de "Data", Sophia de Mello Breyner
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(sem título)
Não sabe quem é,
talvez seja melhor assim.
Não diz como se chama,
talvez nem tenha nome.
Nunca se mostra por inteiro,
talvez não exista.
Tenta ser vida,
mas não consegue.
Tenta só Ser,
mas não é nada.
Ela não existe,
foi inventada.
Texto de Emanuel Vitório, produzido no âmbito do P.I.L.
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Morangos sem chantilly
Sabes quando te apetece morangos com chantilly e descobres que no teu frigorífico não há chantilly? A solidão é isso.
Texto de Elsa Moreira, produzido no âmbito do P.I.L.
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Texto de Elsa Moreira, produzido no âmbito do P.I.L.






