apodrece
no canteiro
a vermelha raiz de abril
e há sonhos tristes
no sono das gentes
quem virá regar o cravo
que murcha na lapela do meu País?
E aos oradores que, hoje, por toda a parte se fazem ouvir, aviltando a poesia nos seus discursos, um poema. De Sophia:
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Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andresen
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