Perguntar-se-á o distinto leitor sobre a razão de uma tão deleitosa ilustração em plena aula de Português. Não são as palavras dos autores suficientemente sólidas, belas e pungentes? Não são elas suficientes para nos mover de ternura (e piedade, caso se prolongassem)?
A resposta é: não.
Camilo que me perdoe, mas esta linguagem hermética, mais do que pede, exige a beleza da imagem, o retrato fiel do que a sua criatividade obscuramente pariu. Ora, como já se terá apercebido, caro leitor, porque a evidência não permite a dúvida, a obra apresentada é da minha autoria (o seu a seu dono) e serviu para que os meus jovens entendessem o mistério do seguinte parágrafo:
"Dezoito anos! O amor daquela
idade! A passagem do seio da família, dos braços de mãe, dos beijos das irmãs para as carícias mais doces da virgem, que se lhe abre ao lado como flor da mesma sazão e dos mesmos aromas, e à mesma hora da vida!"
Tanto esforço teria sido poupado aos meus petizes se ele tivesse escrito, tipo " o gajo aquilo bateu-lhe mêmo, e pronto, tava sempre a bazar de casa, só via a miúda à frente, que ainda por cima 'tava caidinha por ele"
Custava assim tanto, Camilo? Vai na volta, e sem querer mérito que me não caiba, mas vai na volta eu fazia o que fazias melhor do que tu fizeste.
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