(Sem título)

E o anjo eras tu, meu amado, a contrariar as histórias do Romantismo em que anjo era a mulher e o nosso amor não era puro.
Eras tu o anjo, a analogia do bem.
Eras tu e, no entanto, já não és.
Representava eu a força maior, a que venceu a tua, a teu favor, levando-te para o caminho errado desse mal que sou eu, a tua perdição.
Sim, fui mais forte, envolvi-te na minha sensualidade e fiz-te cair em tentação. Na de me ter nos teus braços.
Os teus olhos brilhantes de menino perderam-se no meu corpo de mulher, a tua ingenuidade mergulhada na minha astúcia, levaram-te, um anjo, a cair no pecado. O pecado de desejar-me, expressar de um humano, rejeitando o teu cariz divino. Quiseste ser homem, para me ter como tua mulher.
Sim, desejaste-me e esse desejo fez de ti meu prisioneiro. As asas que tinhas, já não te serviam para voar; o teu corpo, envolvido no meu, já não era celeste.
E não sei se considerar o sentimento que nos une perdição me faz sentir culpa ou gozo... eu, que já era humana, também me perdi.
Tornei-te Homem para que fosses igual a mim, seduzi-te para que pudéssemos ser um só, um nós. Tirei-te as asas para não voares para longe e prendi-te, para que fosses meu, nesse, talvez pecado ou erro, que nos faz tão bem.
Sem malícia, quis-te e espero-te, mas, divinamente, não podias ser meu. Assim...
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Texto de Nayara Reiter

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