No 8º ano há uma espécie de repetição de conteúdos de 7º, que têm de ser abordados e eu , como sabem, abordo tudo de fio a pavio. Era o que faltava deixar conteúdos por abordar!
Bom, lá fui eu para a sala, mas não fui sozinha, que hoje é 4ª feira, logo dia de parceria com o meu distinto colega J.S..
Liguei o computador, o projector, projectei o "powerpoint" e os pequenos queixaram-se da cor da letra, que se via mal, que se estavam a baralhar, que praticamente já estavam a ficar cegos. Eu cá faço tudo pelo bem estar dos meus alunos, vai daí, congelei a imagm e, enquanto escreviam uma resposta, fui alterando a cor das restantes, para que as queixas acabassem. Ao fazer isto, como sabem, no ecrã aparece "congelamento".
Até aqui, nada de novo. Perguntar-se-ão, por que razão estou então a escrever esta crónica se não tenho nada de novo para vos contar. Ora lá era isso possível! Tenho, pois, e muito!
Este calor de Setembro está a acabar com qualquer pessoa, vai daí, o colega J.S., que não só zela pelo bem estar dos alunos, como de todas as pessoas em geral, vendo o meu afogueamento, perguntou, de forma séria e preocupada:
- Antónia, queres que ligue o ar condicionado?
- Ai, sim, J., por favor! - respondi com o mesmo ar grave e sóbrio.
E eis que se levanta o burburinho, que ganha voz pela M.
- Ah - a expressão era de surpresa genuína - a sala tem ar condicionado?
Eu nem tive tempo para elaborar uma resposta, pois o D., disse logo:
- Não estás ali a ver "congelamento"?
Eu que não sou pessoa de riso fácil, gargalhei suavemente, imitada, de imediato, pelo colega J.S. e pelos jovens que entenderam a piada do D.. É claro que há sempre um ou outro que pergunta "por que é que estão a rir? Não percebo!". Depois de explicada a piada, como não querem dar parte fraca, lá comentam com um certo arzinho de desdém: "Pff, não tem graça!"
Voltando tudo à normalidade, já o projector desligado e os moços todos com uma ficha de trabalho sobre a notícia, vá de fazer perguntas:
- Ora bem, jovens, já vimos o antetítulo, o título e agora, como se chama este primeiro parágrafo?? - questionei eu, segura das correção das respostas, pois é uma matéria do ano anterior.
- É lidl! - disse o L., com firmeza e confiança.
- Pois, e o resto da notícia chama-se Aldi - disse eu, que sou cliente de ambas as superfícies e considero que uma não fica atrás da outra!
Lá houve uns risinhos, mas eu cá pus logo ordem naquilo e, de forma bem audível, quis acabar ali com as piadolas:
- Jovens, vamos lá ver, o primeiro parágrafo é o "lead", e vai até onde?
- Até ao Continente. - o tom foi discreto, mas do mais malandro que possam imaginar. A voz, essa, foi do G., de olhos sorridentes.
Uma vez mais, abafei a gargalhada, mas sorri-lhe com o coração cheio. É claro que não o repreendi, desde logo, porque foi uma cartada muito bem jogada, depois porque o G.não tem sorrido nos últimos dias e ele precisa. Muito.
Já quase no fim da aula, o L. disse assim:
- A prof. é daquelas que faz cenas fixes na centésima lição?
- Eu não costumo , mas só por teres dito centésima, vou fazer!
E pronto, lá ficou agendada uma "cena fixe". Seja lá isso o que for...
Mensagens populares deste blogue
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Razão, irmã do Amor e da Justiça, A Razão é invocada diretamente e personificada como irmã do Amor e da Justiça. O poeta apresenta três valores inseparáveis. 02 Mais uma vez escuta a minha prece . O sujeito poético dirige-lhe uma súplica, como se a Razão fosse uma entidade superior, digna de veneração. 03 É a voz dum coração que te apetece , A procura da Razão é também afetiva: o coração deseja-a. Razão e sentimento não surgem como inimigos. 04 Duma alma livre, só a ti submissa . Há um paradoxo aparente: a alma é livre porque escolhe orientar-se pela Razão, em vez de se deixar dominar pela arbitrariedade. 05 Por ti é que a poeira movediça A expressão metafórica representa a imensidão ...
Ideal
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Aquela, que eu adoro, não é feita O pronome «Aquela» aponta para uma figura feminina indeterminada. O verbo «adoro» revela a intensidade da idealização. 02 De lírios nem de rosas purpurinas , A negação afasta a figura amada das imagens convencionais de beleza floral e sensual. 03 Não tem as formas lânguidas , divinas A repetição de «Não» reforça que o Ideal não se define por atributos físicos ou por uma beleza visível. 04 Da antiga Vénus de cintura estreita... A referência a Vénus, deusa da beleza e do amor, rejeita o modelo clássico de beleza corporal. 05 Não é a Circe , cuja mão suspeita A alusão mitológica a Circe afasta o Ideal da sedução enganadora e da manipulação. 06 Compõe filtros mortais entre ruínas, Os «filtros mortais» evo...
Na Mão de Deus
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Na mão de Deus, na sua mão direita, A expressão «mão de Deus» introduz uma imagem de acolhimento e proteção. A referência à mão direita pode sugerir um lugar privilegiado de segurança e amparo. 02 Descansou afinal meu coração. O coração, símbolo da vida afetiva do sujeito poético, encontra finalmente repouso. O advérbio «afinal» sugere um percurso anterior de inquietação. 03 Do palácio encantado da Ilusão O «palácio encantado da Ilusão» representa os ideais e as expectativas que antes fascinavam o sujeito poético. A maiúscula confere valor simbólico à Ilusão. 04 Desci a passo e passo a escada estreita. A descida gradual da «escada estreita» simboliza o abandono progressivo das ilusões e ...

Comentários
Enviar um comentário