Os cacifos continuam a dar que falar e há pessoas
que são invejosas. Já imagino a indisposição que esta afirmação está a causar, mas
não sou de meias palavras e há que ser pegar o boi pelos cornos, esperando não
bater com eles na parede. Há quem não possa ver um cacifo em condições. Começa
logo “ai jesus, que eu também quero”. Aqueles que não disfarçam nada e que fazem
grande alarido, são inofensivos: muito grito, muito grito, mas espremida a
conversa, pouco sobra. O problema são os outros, que passam despercebidos. Afáveis,
gostam de guardar uma certa distância, que nunca assumem, mas que muito prezam.
É desses que vou falar, nomeadamente da colega E.C. e do seu ar simpático e
cordial e do seu riso fácil. Pois se a E.C. é tudo isto, por que razão há-de
ser tanta qualidade um problema?? Simples, caros leitores, é que atrás de tanta
amabilidade esconde-se esse sentimento medonho que é o da inveja nunca
assumida. E a colega E.C. padece desse mal, tanto que, quando menos se
esperava, eis que nos espetou a todos uma facada, movendo o punhal em círculos
e provocando, não sangue ou estrebuchamentos , mas a enigmática questão:
- De quem é este cacifo?! – questão de todos, com o
sentimento de traição a bailar-nos no olhar.
Ninguém sabia.
Nada de novo, afinal nunca ninguém sabe nada nesta
escola, quando se trata de cacifos.
Arregacei as mangas e pus-me à coca, que é como
quem diz, perguntei à primeira alminha que passou a quem pertencia tão vigiada
casa. Disse-me, “Ah, isso é lobby dos
de Inglês”. Ora o que não falta são professores de Inglês, pelo que, insisti,
mas de quem?? A alminha, cujo nome não refiro, por não me recordar, pedindo,
desde já, perdão, a alminha, dizia eu, abriu a porta e verificou tratar-se da
colega E.C. Eu cá, levei logo a mão ao peito com a admiração que me tomou e fui
passando palavra, que eu cá não gosto de me admirar sozinha. A cada um que
contava, era uma manita que ia ao peito. Pasmo geral, portanto.
É claro que começaram logo a
surgir questões, que esta gente pensa muito:
- Para que quer a E.C. uma casa
vigiada??
O J.M. fez logo uma associação
entre este mistério e um caso antigo de um arquitecto, que fez não sei o quê
com não sei quem, no seu escritório num sítio cheio de árvores, daquelas que
dão amoras. A E.C. disse logo que não, que estava muito enganado, enquanto a
vozinha lhe tremia e um sorrisinho lhe pairava no rosto, que entretanto corara.
Como podem ver, a resposta é pouco convincente e ficámos assim com dois
mistérios.
Quanto à inveja da colega E.C.,
posso dizer-vos, é mal que se pega. Agora ando aqui que não me aguento por não
ter uma casa tão sofisticada quanto a dela.
Mensagens populares deste blogue
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Razão, irmã do Amor e da Justiça, A Razão é invocada diretamente e personificada como irmã do Amor e da Justiça. O poeta apresenta três valores inseparáveis. 02 Mais uma vez escuta a minha prece . O sujeito poético dirige-lhe uma súplica, como se a Razão fosse uma entidade superior, digna de veneração. 03 É a voz dum coração que te apetece , A procura da Razão é também afetiva: o coração deseja-a. Razão e sentimento não surgem como inimigos. 04 Duma alma livre, só a ti submissa . Há um paradoxo aparente: a alma é livre porque escolhe orientar-se pela Razão, em vez de se deixar dominar pela arbitrariedade. 05 Por ti é que a poeira movediça A expressão metafórica representa a imensidão ...
Ideal
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Aquela, que eu adoro, não é feita O pronome «Aquela» aponta para uma figura feminina indeterminada. O verbo «adoro» revela a intensidade da idealização. 02 De lírios nem de rosas purpurinas , A negação afasta a figura amada das imagens convencionais de beleza floral e sensual. 03 Não tem as formas lânguidas , divinas A repetição de «Não» reforça que o Ideal não se define por atributos físicos ou por uma beleza visível. 04 Da antiga Vénus de cintura estreita... A referência a Vénus, deusa da beleza e do amor, rejeita o modelo clássico de beleza corporal. 05 Não é a Circe , cuja mão suspeita A alusão mitológica a Circe afasta o Ideal da sedução enganadora e da manipulação. 06 Compõe filtros mortais entre ruínas, Os «filtros mortais» evo...
Na Mão de Deus
01 · Análise ↗ 02 · Sistematização ↗ 03 · Ideia-chave ↗ 01 - ANÁLISE Leitura integral do soneto Seleciona um verso para ver a sua interpretação. As palavras sublinhadas abrem diretamente o glossário. Texto integral · Antero de Quental 01 Na mão de Deus, na sua mão direita, A expressão «mão de Deus» introduz uma imagem de acolhimento e proteção. A referência à mão direita pode sugerir um lugar privilegiado de segurança e amparo. 02 Descansou afinal meu coração. O coração, símbolo da vida afetiva do sujeito poético, encontra finalmente repouso. O advérbio «afinal» sugere um percurso anterior de inquietação. 03 Do palácio encantado da Ilusão O «palácio encantado da Ilusão» representa os ideais e as expectativas que antes fascinavam o sujeito poético. A maiúscula confere valor simbólico à Ilusão. 04 Desci a passo e passo a escada estreita. A descida gradual da «escada estreita» simboliza o abandono progressivo das ilusões e ...

Comentários
Enviar um comentário