revisito-me II

Teimosa, uma lágrima escorre pelo silêncio, toca-me os lábios, que se abrem ao seu sal. Aconchego-me ao corpo e subo para a noite.
As escadas rangem.
Paro, param.
Subo, gemem.
Sofrem comigo o peso de uma solidão que é minha.
Luzes pontilham a cidade que se estende. Embora oculto na escuridão, sei o mar ao fundo. Vim aqui algumas vezes, logo pela manhã, bem cedo, e a sós com o azul intenso, fiz a prece pela vida. Cansados, os barcos regressavam do amor violento e, à sua espera, gaivotas dançavam a saudade desfeita.
Mas a hora é tardia e a cidade descansa. Os barcos entregam-se às carícias; as gaivotas dormem cuidados. Eu não sou.
Desço. As escadas dizem-me que a solidão mata. Nada sentira a minha falta. Deito-me na casa que não me espera, abraço-me ausência e os amores perdidos parecem mais próximos.
Menos irremediáveis.
Ser de nenhures, revivo o tempo que aqui ecoa.
grandes coisas que li aqui:) parabens.
ResponderEliminarS.
de passagem, para te desejar um bom ano e para te dar, uma vez mais, os parabéns. o blog está uma beleza.
ResponderEliminarvoltarei aqui, um destes dias, para uma leitura vagarosa das tuas palavras. aqui e nas tuas outras casas...
um abraço muito grande.