irromperam pela página virgem
as pétalas vermelhas do teu olhar,
mas o ciclone da razão
varreu do branco da minhas folhas
a apoteose do teu sangue...
e foi assim que me morreram todos os versos.
O texto não acaba na última linha.
Um projeto literário de Antónia Mancha
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A criança, embora atravesse uma «lôbrega jornada» e espaços ameaçadores, sente-se segura porque é transportada ao colo da mãe. Esta imagem simboliza a confiança do sujeito poético na proteção divina: depois de renunciar às ilusões e às formas transitórias do Ideal e da Paixão, entrega-se a Deus e encontra a paz. A renúncia não representa, assim, uma submissão imposta, mas um desprendimento consciente que liberta o coração da inquietação. A liberdade interior manifesta-se na serenidade final, sugerida por «coração liberto» e pela repetição de «Dorme».
A Razão continua a ser indispensável para distinguir factos de opiniões, avaliar argumentos, reconhecer a manipulação e resistir aos preconceitos. Ao orientar escolhas conscientes e o diálogo, pode sustentar a defesa da justiça e da liberdade, mesmo perante informações contraditórias ou discursos extremados. No soneto, Antero de Quental associa expressamente a Razão à luta coletiva pela emancipação: «Por ti, na arena trágica, as nações / Buscam a liberdade entre clarões». A referência mostra que a Razão não é apenas uma capacidade individual, mas também uma força ética e transformadora da sociedade.
Os versos são lindos, de um dizer sentido. Assim como que um vazio muito preenchido!
ResponderEliminarUm beijo
ana prado, essa rosa de sangue não simboliza a morte das palavras. antes pelo contrário.
ResponderEliminarum abraço - da minha ínsua a essas tuas paisagen utópicas.