sem título


Não vás,
porque os astros não te reconhecem velhice,
porque o teu ano-luz ainda é vida.
Não vás,
porque o teu jardim ainda brota
e há trabalhadores na rua a varrer:
vem dar-lhes café.
Não vás,
ainda espero por ti em frente à casa
e a minha irmã anseia abraçar a tua perna.
Não vás,
porque o Natal aí vem e o Pai Natal sempre foste tu.
Não vás,
porque o ano promete nascer
e sem ti tudo morre também.
Não vás,
porque eu ainda não posso ir.
Não vás,
por favor.
Não vás,
assim.
.
Texto de Nayara Reiter, no âmbito do P.I.L.
Foto da Net

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