da incapacidade de desistir

(ilustração de Pedro Sousa Pereira)
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É curioso como a vida altera a nossa forma de encarar os dias e as coisas que fazemos para os fazer e neles acontecermos.
Fui a um tempo, o do início, o peito aberto, o sorriso claro e a entrega desmedida a cada impossível. Veio depois qualquer coisa de intermédio e indefinido, pautado pelo retraimento e pelo conformismo, acontecendo quem sou apenas na solidão ou num ciclo fechado e seguro, que nada me exigia, intranquilizando-me a serenidade que me oferecia. Entendi, então, que tinha uma tendência inevitável para persistir na adversidade; só aí, de vez em quando me encontro, só aí me inquieto e revolvo mundos. É também aí que se dá o Encontro (ou essa ilusão).
Sei a entrega e a dor da incompreensão. Sei a dádiva e a angústia da recusa. Sei-me em cada uma e, apesar do desalento que, por vezes, me encontra, é a única forma de vida que concebo. Estranha forma de vida, dir-me-ão, sê-lo-á, talvez, mas não conheço outra que me engravide de sonho desta maneira. E sim, 'quanto mais ao povo a alma falta/ mais a minha alma ... se exalta'.
Tantas as palavras, apenas para vos dizer foi bom ter-vos dado de mim, nas canções que hoje ouvimos.
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Aqui vo-las deixo:


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Ah, por que são frágeis os vossos sinais e inseguros os vossos gestos?

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