Gostaria que me pintasses como uma princesa,
com cabelos escuros e faces rosadas
e te pintasses com valentia
e um cavalo de papel.
A minha torre tem cinco linhas de andar!
.
Gostaria que me pintasses o nome de Rosa.
Tu, com uma rosa, a declarar-te.
Que me pintasses ums lua cheia
e apagasses os monstros do meu quintal.
O meu quintal é um bosque!
.
Alegrava-me que me pintasses mais nova
e continuasse a ser mais velha do que tu.
Que o papel em minha face não tivesse rugas
e o meu papel na história fosse infantil.
Eu tenho oitenta anos de idade!
.
Sonho que me pintes delicada,
com roupa de seda e sapatos de cristal.
Que tu sejas o meu príncipe protector
e me ganhes a lutas, sem que eu precise de lutar.
Eu tenho uma espada nas minhas mãos!
.
Queria que me desenhasses com vida,
que o cenário tivesse cores vivas
e essa vida se empregue no papel.
Há já tanto tempo que estou a dormir!
.
Desejava que me desenhasses como tua
e na minha mão direita, um anel.
Que tu me pintasses como meu amado
e dentro dos teus olhos eu me visse a mim.
Há tanto tempo que não me lembro do amor!
.
E por fim, meu querido artista,
quero que pintes uma filha inteira de cor de rosa
e no fundo, com letras bem grandes e pirosas,
escrevas: final feliz!
.
.
Texto de Nayara Reiter, inserido no seu Projecto Individual de Leitura.
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